O fim da aposentadoria tradicional com a chegada da Previdência Privada.
Até bem pouco tempo, aposentar-se no Brasil era um verdadeiro transtorno. Uma busca incansável por papéis além de uma maratona nas filas da Previdência Social. A aposentadoria, antes de significar repousar tranquilamente em casa e aproveitar as boas coisas que a vida ainda proporciona, mesmo quando se está mais velho, acabava por se tornar em um verdadeiro martírio.
Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), aproximadamente nove milhões de brasileiros têm benefícios de aposentadoria pagos pelo governo, conforme contribuição previdenciária. Destes nove milhões, cerca de 43% recebem apenas um salário mínimo, atualmente R$ 415,00. O que, convenhamos, é muito pouco para garantir uma subsistência razoavelmente digna.
Pensando em receber um pouco mais para curtir a velhice e não passar tantas dificuldades buscando papéis e enfrentado filas, foi que Marcos Silveira decidiu, há quatro anos, pagar para a mãe Siloé Alvez (foto acima), 62 anos, um plano de Previdência Privada. Em algumas semanas ela irá começar a receber mensalmente para o resto de sua vida cerca de 3 salários mínimos. “Desejo que ela possa curtir melhor a sua velhice e que não dependa do plano de previdência do governo para sobrevir com apenas um pequeno salário”, diz Marcos.
Os sistemas de aposentadoria governamental, criados a partir de 1870, por Bismarck para a Alemanha, estão todos hoje, completamente falidos, inclusive no Brasil com o envelhecimento maciço da população. E pelo que tudo indica, até mesmo por que o estado a cada dia mais incentiva as privatizações para se eximir dos seus deveres, a aposentadoria tradicional parece estar com os dias contados.
“Hoje, segundo pesquisas recentes do IBGE, as pessoas vivem, em média mais de 75 anos. Isso significa que alguém que se aposenta aos 55 anos, depois de 30 ou 35 anos de carreira, ainda terá mais 20 anos de vida útil e saudável, com totais condições de aproveitar melhor os últimos anos de vida que lhe restam”, confirma Ricardo Colzani Russi, gerente de uma empresa especializada em Planos de Previdência Privada.
Neste novo contexto de aposentadoria, o rendimento mensal para os idosos pode se transformar na possibilidade para colocar em prática seus antigos sonhos de se dedicar a outras atividades que tragam prazer, qualidade de vida e reconhecimento, como por exemplo, viajar e curtir programas de lazer com outros membros da melhor idade sem se preocupar com os baixos rendimentos mensais.
Porém, Russi alerta que “o processo de busca pelo plano correto deve ser bem planejado antes, e preferencialmente consultar o apoio de um especialista em planos e benefícios. As mensalidades podem ser elevadas e a demora para receber o benefício pode não compensar o investimento”.
Outra questão que deve ser discutida e para isso queremos ouvir sua opinião, também, é que estes planos de previdência continuam sendo excludentes, ou seja, só pessoas com maiores condições financeiras podem pagar um plano e ao mesmo tempo dispor de dinheiro para sobreviver dignamente antes da aposentadoria chegar.